Ex-paraquedista do Exército, Sérgio Éric busca marcas bizarras e se compara a Nelson Mandela, mas admite: “Tenho muita pretensão de chamar a atenção”. Lutador exibe a imagem de seu projeto.
Madrugada no Rio de Janeiro. A noite fria vai terminando e dá lugar a um vento gelado no Centro da cidade. Pouca gente caminha perto da Central do Brasil. Mas quem passa por lá vê uma cena no mínimo estranha. Não é história de terror ou sinopse de filme de suspense. É apenas uma tentativa de quebrar um recorde. Ok, um recorde não muito comum: desferir golpes de caratê sem parar durante 27 horas.
Lutador exibe a imagem de seu projeto.
(Foto: Guilherme Marques)
O personagem dessa história é um ex-paraquedista do Exército. Sérgio Éric da Silva, lutador de caratê. Ele assume ser louco. Louco por recordes. A “luta” na Central começa pouco antes das 17h e termina no dia seguinte, às 20h. Se a intenção de Sérgio ainda não está clara, ele explica:
- Tenho muita pretensão de um reconhecimento, de chamar a atenção. Bato recordes para atrair a mídia. Mas quando uma pessoa golpeia sei lá quantas horas seguidas, tem que ter uma loucura nisso, não é possível (risos). Tenho até um amigo que diz que se fizer um exame comigo, vai acabar acusando alguma coisa – admite o lutador.
Mas a loucura de Sérgio não é à toa. Ao menos ele acredita que não.
Para vencer a guerra psicológica que trava durante a exibição e justificar seu empenho em conquistar o tal “reconhecimento”, o lutador conta que todas as suas marcas têm temas. Dessa vez, o homenageado foi Nelson Mandela. O que o líder sul-africano tem a ver com isso?

Sérgio conseguindo o que quer: chamar a atenção (Foto: Guilherme Marques/Globoesporte.com)
- Tenho muitas coisas em comum com ele. A garra, os ideiais que ele defendeu e eu defendo são os mesmos. Eu queria mesmo era ter batido esse recorde antes da Copa, conseguir um patrocínio e ir para a África do Sul entregar um presente ao Mandela, mas não deu – conta o sonhador Sérgio. Outros recordes Se golpear seguidamente durante 27 horas pode parecer estranho, imagine caminhar por 31 horas de costas. Pois bem, esse foi outro recorde batido pelo lutador. Em 2004, em uma praça de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, Sérgio desbancou a marca de 25 horas praticando o “exercício”. Detalhe: o recorde anterior também era dele.
– A primeira vez foi em 2002, para homenagear a seleção brasileira campeã mundial. Foi legal, teve bastante repercussão, mas eu não estava satisfeito e queria mais. Lá em Nova Iguaçu, o pessoal não entendeu muito bem por que eu estava fazendo aquilo, então passava e me xingava: “Seu maluco”, diziam. Mas eu sabia que estava fazendo algo legal – acredita.
Loucura ou não, pouco importa. Para Sérgio, o que vale é o objetivo de suas ações. O próximo recorde a ser batido? Nem ele sabe. Mas com certeza não será algo comum.
Fonte: http://globoesporte.globo.com/lutas